Palestra sobre educação financeira orienta alunos da EJA como administrar dinheiro

Foto: Divulgação

Por Renato Pirauá

Dados recentes da Serasa apontam que 83,7 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado em junho deste ano. Diante desse cenário, aprender a administrar o dinheiro e utilizar o crédito de forma consciente se torna cada vez mais importante.

Foi justamente para aproximar esse conhecimento da realidade que cerca de 25 alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Unidade Educacional Renan Alves Leite (Vila Cascatinha) participaram, nesta terça-feira (18), de uma palestra sobre educação financeira com o especialista Sandro Guimarães. Com mais de dez anos de experiência na área, ele desenvolveu o chamado “Método dos 7 Passos” após ajudar centenas de pessoas a reorganizarem a vida financeira. A proposta, segundo o próprio especialista, é trabalhar estratégias simples de organização financeira, independentemente da renda.

Com uma abordagem prática, descontraída e repleta de exemplos do cotidiano, o encontro tratou de assuntos que fazem parte da rotina dos estudantes, como cartão de crédito, compras parceladas, dívidas, reserva financeira, investimentos, consumo consciente e possibilidades de geração de renda extra.

A escolha do público também foi estratégica. “Os estudantes da EJA já vivenciam responsabilidades da vida adulta, como trabalho, pagamento de contas e administração da própria renda”, conta o diretor da UE, Alexandre Jerônimo da Silva. Por isso, a proposta foi levar para a sala de aula um conhecimento que pudesse ser aplicado imediatamente no dia a dia.

Cartão de crédito

Durante a palestra, Sandro chamou a atenção para um dos principais vilões do endividamento: o uso indiscriminado do cartão de crédito. Um levantamento da Serasa mostra que, entre os brasileiros endividados com bancos, o cartão é apontado como a principal fonte de endividamento, citado por 73% dos entrevistados. “Cartão de crédito tem que ser emergencial. Se você não se endividou com cartão, está correndo o risco de se endividar”, alertou.

Para demonstrar como o problema pode crescer, Sandro apresentou situações simples: uma compra de R$ 100 parcelada em dez vezes pode parecer pouco, mas, quando várias prestações se acumulam, uma parcela significativa do salário pode ficar comprometida antes mesmo do salário cair na conta.

Dinheiro na mão, planejamento na cabeça 

Uma das principais mensagens deixadas pelo palestrante foi a importância de sempre planejar antes de comprar. Para Sandro, liberdade financeira não está necessariamente relacionada a ganhar muito dinheiro, mas à capacidade de fazer escolhas conscientes. “Liberdade financeira não é luxo, é uma decisão”.

A partir de exemplos do cotidiano, ele mostrou aos estudantes a diferença entre necessidade e desejo e incentivou a prática de juntar dinheiro antes de realizar uma compra que não seja essencial. A lógica é simples: dinheiro na mão, planejamento na cabeça. Em vez de antecipar um desejo por meio do crédito, o consumidor pode esperar, guardar o dinheiro e decidir, com mais tranquilidade, se aquela compra realmente vale a pena.

A palestra também abordou a importância da reserva financeira. Sandro apresentou alternativas de investimentos de liquidez diária e explicou, de maneira acessível, como é possível começar a guardar dinheiro e fazer com que ele renda.

Renda extra

Outro assunto que despertou a atenção dos estudantes foi a possibilidade de transformar habilidades e atividades de que gostam em uma fonte de renda extra. Sandro explicou, porém, que vender um produto não significa necessariamente lucrar. Antes de definir o preço, é preciso considerar todos os gastos envolvidos, como matéria-prima, transporte, embalagem e manuseio. Dessa forma, o pequeno empreendedor consegue identificar quanto realmente ganhou com a venda.

A orientação é especialmente importante para quem pretende transformar um hobby ou uma habilidade em uma atividade que gere lucro. “A renda é extra, não é?”, brincou o especialista, reforçando que esse dinheiro pode representar uma oportunidade de complementar o orçamento.

Na prática 

Para o diretor Alexandre, a palestra representa uma oportunidade de trabalhar um conhecimento que terá aplicação direta na vida dos estudantes. “Eles são adultos, pagam contas e precisam saber organizar a vida financeira”. Segundo o gestor da UE, a proposta é que o aprendizado não fique restrito à escola. Os estudantes podem levar as informações para suas casas e atuar como multiplicadores, compartilhando com familiares os conhecimentos sobre planejamento, consumo e organização financeira.

Além disso, a temática pode ser relacionada a outras áreas do conhecimento escolar, como Matemática, permitindo que conceitos trabalhados em sala tenham conexão direta com situações reais.

Com informações da Prefeitura Municipal de São Vicente

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *